“Enquanto andávamos na mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra. Todavia os que vi não seriam mais que nove ou dez, quando muito. Outras aves não vimos então, a não ser algumas pombas-seixeiras, e pareceram-me maiores bastante do que as de Portugal. Vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi. Todavia segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!”
Em homenagem ao Dia da Ave, um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha (1450-1500), datada de 1° de maio de 1500. Essa carta foi enviada por Caminha (sob responsabilidade de Pedro Álvares Cabral) para o rei Manuel I de Portugal. É tida como a certidão de nascimento do Brasil…que foi, no entanto, só redescoberta por Juan Batista Muñoz por volta de 1793, arquivada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal e divulgada pela primeira vez apenas no século XIX pelo Padre Manuel Aires de Casal.

Foto: Marco A. Crozariol, feita na Serra dos Carajás, Parauapebas/PA. Espécie: Odontophorus gujanensis (Uru-corcovado).

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