Dia da Ave (05 de Outubro)

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“Enquanto andávamos na mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra. Todavia os que vi não seriam mais que nove ou dez, quando muito. Outras aves não vimos então, a não ser algumas pombas-seixeiras, e pareceram-me maiores bastante do que as de Portugal. Vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi. Todavia segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!”
Em homenagem ao Dia da Ave, um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha (1450-1500), datada de 1° de maio de 1500. Essa carta foi enviada por Caminha (sob responsabilidade de Pedro Álvares Cabral) para o rei Manuel I de Portugal. É tida como a certidão de nascimento do Brasil…que foi, no entanto, só redescoberta por Juan Batista Muñoz por volta de 1793, arquivada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal e divulgada pela primeira vez apenas no século XIX pelo Padre Manuel Aires de Casal.

Foto: Marco A. Crozariol, feita na Serra dos Carajás, Parauapebas/PA. Espécie: Odontophorus gujanensis (Uru-corcovado).

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ALEXANDRE RODRIGUES

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FILOSOFANDO UM POUCO NA HISTÓRIA DA ORNITOLOGIA: ALEXANDRE RODRIGUES FERREIRA
Segundo Vanzolini (1996) Alexandre Rodrigues Ferreira nasceu em Salvador em 27 de abril de 1756 e ainda jovem foi para Portugal. Regressou ao Brasil pelo governo português onde explorou grande parte do país (principalmente a Amazônia) acompanhado por José Joaquim Freire e Joaquim José Codina, que desenhavam o material coligido por ele.
As coleções feitas por Alexandre não foram grandes e eram enviados, nas medidas possíveis para a época, para Lisboa, no Museu da Ajuda. Volta a Portugal em 1793, quando em 1808 os exércitos napoleônicos invadiram o país acompanhado por alguns savants franceses com o intuito de saquear a cultura da derrotada nação. Vanzolini (1996) ainda diz que foi Etienne Geoffroy Saint-Hilaire o zoólogo que saqueou o Museu da Ajuda, completando que “A Grande Encyclopédie Larousse diz que em 1808 Etienne foi encarregado de uma mission scientifique en Espagne et en Portugal”, confirmando que ele realmente esteve lá naquela data. Assim, em vez de Alexandre publicar o resultado de suas pesquisas, as novidades foram descritas pelos dois Saint-Hilaire (Etienne Geoffroy Saint-Hilaire e seu filho Isidore Geoffroy), além de Anselme Gaetan Desmarest. Alexandre Rodrigues morre de depressão em 1815, embora alguns fatos indiquem que o acontecimento mencionado acima não teve total culpa nisso.
Ficaria mais bonito então: Neomorphus ferreirai e Claravis ferreirai???
Interessante isso tudo…..
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CHARLES E. O’BRIEN

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O PICA-PAU-DA-PARNAÍBA, CELEUS OBRIENI, UMA HOMENAGEM A CHARLES E. O’BRIEN
Charles E. O’Brien (primeiro em pé a esquerda), então curador do “American Museum of Natural History” (AMNH) em Nova York, comentou com Lester L. Short, especialista em pica-paus daquele museu, sobre um exemplar de C. spectabilis (pica-pau-lindo) com plumagem diferente e que havia sido coletado por E. Kaempfer em 1926 no município de Uruçuí, Piauí. Em 1972 C. O’Brien se aposentou e então L. Short publicou, em 1973, a descrição desse exemplar, o nomeando subespecificamente como Celeus spectabilis obrieni, em homenagem a C. O’Brien, que o alertou do fato e, segundo ele, trabalhou por mais de 50 anos naquela instituição.
Após a sua descrição científica em 1973, o amigo e ornitólogo Advaldo reencontrou a espécie em Goiatins, norte do estado do Tocantins. Embora existissem exemplares “perdidos” na coleção de José Hidasi para datas anteriores, a espécie permaneceu por 80 anos como uma grande incógnita ornitológica…!
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EURICO SANTOS

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EURICO SANTOS E O LIVRO “PÁSSAROS DO BRASIL”
Eis aqui uma passagem do Livro “Pássaros do Brasil” do grande Eurico Santos que tanto aprecio. Antes, todos nós, fossemos como essa ótima descrição de “pássaro” por ele dada!!!
“Mal se vislumbra o crepúsculo matutino e já os pássaros começam, ainda dentro dos ninhos, ou nos pousos favoritos onde adormeceram, a saudar mais uma vez o dia que aí vem, como que eternecidos diante do esplendor do mundo. A luta pela existência, os mil perigos que os cercam e que bem conhecem, jamais lhes ensombram o ânimo”.

Imagem : Eurico Santos (Nomura 2005) e seu livro “Pássaros do Brasil”.

O BICO-ASSOVELADO

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O BICO-ASSOVELADO, OS NOMES POPULARES E A LEITURA BRILLE!

Muitas espécies nacionais ganharam seus nomes populares por possuírem partes do seu corpo que nos fazem lembrar alguns objetos rotineiros. Com relação ao bico de algumas aves temos, por exemplo, o colhereiro (Platalea ajaja) com seu bico em forma de colher e o bico-assovelado (Ramphocaenus melanurus) com seu bico em forma de sovela.
Sovela, pra quem não recorda, é um objeto pontiagudo utilizado por profissionais com grande capacidade manual, como os mais diversos tipos de artesãos.
A leitura brille ganhou este nome por ter sido aperfeiçoada (e não criada) pelo francês Louis Braille. Louis ficou cego aos três anos na oficina de seu pai (Simon-René Brille), que era um fabricante de arreios e selas, quando perfurou seu olho esquerdo com um objeto perfurante, que provavelmente era uma sovela. A sovela, aliás, foi depois usada por ele para marcar o papel grosso, permitindo que os cegos pudessem, literalmente, ler com as mãos!

Ramphocaenus melanurus (Bico-assovelado) Foto de Rafael Fortes

JOHN GOULD – UM TAXIDERMISTA

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JOHN GOULD – UM TAXIDERMISTA E PINTOR APAIXONADO POR BEIJA-FLORES
O inglês John Gould (1804 – 1881) aprende taxidermia e aos 20 anos abre sua loja em Londres direcionado a esse tipo de trabalho. Apenas três anos depois (1827) é admitido na “Zoological Society of London”. Devido a sua afinidade com as aves, era dele a responsabilidade de analisar e descrever o material enviado ao museu pelos mais diversos coletores ao longo do globo, inclusive aquele coligido por Darwin durante sua viajem abordo do Beagle. Sua verdadeira paixão parece realmente ter sido os beija-flores, embora só viesse a ver um exemplar vivo em seu ambiente natural no ano de 1857. Publicou sobre o tema entre 1849 e 1861 “A Monograph of the Trochilidae, or Family of Hummingbirds” e entre 1880 e 1887 “A Monograph of the Trochilidae, or Family of Hummingbirds Supplement”, sendo essa última dividida em cinco volumes, dos quais os três últimos foram da autoria de Richard Bowdler Sharpe (1847 – 1909). Gould descreveu inúmeros gêneros, espécies e subespécies ocorrentes no Brasil, entre eles a subespécie Amazilia versicolor nitidifrons (Gould,1860: 308) de localidade tipo desconhecida, sugerido o Estado do Pará por Hellmayr (1929: 395).
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PLÍNIO (O VELHO) E A FÊNIX

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PLÍNIO (O VELHO) E A FÊNIX
Dentre os vários seres mitológicos conhecidos, tais como grifos, pégasos, unicórnios, minotauros e sereias, provavelmente o mais conhecido deles seja a Fênix. Esse animal, uma espécie ave, é capaz de viver muitos anos (entre 500 até 97.200 conforme o descritor) e no leito de sua morte constrói seu próprio ninho-funeral, que entrava em combustão com a sua morte e, após o fogo se apagar, uma nova fênix ressurgiria das cinzas que sobraram. Plínio o Velho (23-79 d.C.) reuniu em sua “Naturalis historiae” divididas em 37 partes, o máximo de informações que conseguiu encontrar sobre as plantas, os animais e minerais. Ele não deixou assim de mencionar a fabulosa, Fênix:

“Existe apenas uma no mundo. Diz-se que tem o tamanho de uma águia, um colar de ouro em torno do pescoço e todo o resto é púrpura, mas a cauda é azul com penas rosadas. O pescoço tem tufos de penas e a cabeça tem uma crista. Constrói um ninho com ramos de caneleira e de incenso, enchendo-o de perfumes, e ali se deita até morrer. Dos seus ossos e medula nasce primeiramente um verme, que se transforma em um pequeno pássaro. Este primeiro realiza os ritos funerais para o pássaro anterior e carrega todo o ninho para a Cidade do Sol perto de Panchaia, depositando-o sobre um altar. Foi até mesmo trazida a Roma no período de censura do imperador Claudius, no ano 800 de Roma [47 d.C.], e exposto no Comitium – um fato atestado pelos Anais, mas ninguém duvida que essa fênix fosse uma falsificação.”
Descrição da Fênix, resumida aqui, do artigo de Roberto de Andrade Martins (2006): “Descrições de aves: uma comparação entre Aristóteles e Plínio, o Velho”
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